Linha Existem duas zonas com ambientes distintos em Fátima, uma na zona do recinto religioso ou de culto e a outra zona exterior a ela. A fronteira entre estas duas zonas é muito ténue e pouco clara, no entanto, a experiência vivida em cada uma delas é oposta. Ricardo Raminhos retrata a zona exterior ao santuário onde encontramos tempos distintos, um com a permanência dos peregrinos, quer em autocarros quer nos seus próprios veículos, muitos destes transformam o parque de estacionamento numa gigantesca aldeia durante dois dias ou mais, com tendas ou dormindo no interior do transporte, criando um ambiente de festa e partilha, outro aquando das celebrações eucarísticas em que esta zona fica deserta de pessoas. O corpo fotográfico aqui apresentado por mim representa o coração do santuário, onde o ambiente é de plena devoção e concentração por parte dos religiosos, a carga emotiva vai-se adensando até ao seu clímax, a cerimónia religiosa ou a oração. O congelamento da acção num determinado momento numa escala muito reduzida revela o profundo do que passa despercebido. É preciso isolar partes de um todo para descobrir a perceber a génese. Depois da cerimónia o processo é inverso no regresso à zona limítrofe do santuário.